Quando os espelhos dão conselhos: a idade chega para todos

“A mulher quando é moça e bonita nunca acredita poder tropeçar. Quando os espelhos lhes dão conselhos é que procuram em quê se agarrar.” Castigo – Lupicínio Rodrigues 

Mais da metade das vezes que alguma mulher de mais idade me falou que a beleza acaba não entendi a motivação do conselho e o que de fato ele abarcava com conceitos de beleza e juventude. Ainda não me considero tão experiente quanto aquelas senhoras, mas acho que comecei a entender o que elas queriam dizer com “Beleza acaba, menina”.

Beleza é um conceito muito amplo e gosto de pensar que está presente em várias fases da vida, inclusive na juventude. Mas pele de pêssego e corpinho no lugar passam num estalar de dedos, vão embora de foguete se você não se ligar. Por juventude podemos entender tudo aquilo que existe numa proporção característica daquele momento, por um propósito específico. Queridos, não faz sentido nenhum pra Natureza qualquer ser vivo ser jovem pra sempre. É agora que começa o texto de hoje.

Beleza e juventude passam. Ainda bem!!!

Nem vou começar a criticar as imposições e gaiolas douradas que nos cercam desde a mais tenra idade. Padrões em geral tornam a vida mais difícil e castram qualquer natureza selvagem, o que é muito bom pra organizar uma sociedade e péssimo pro desenvolvimento de indivíduos (pessoas diferentes, autênticas, unicas). Com o advento da tecnologia a humanidade vem adotando novas referências e reformulando padrões, o que pode ser bom ou ruim. Se há 100 anos uma mulher farta era sinônimo de saúde e beleza, hoje é motivo de preocupação e horas de academia. Ficou clara a relatividade e mudança de padrão?

Pois o objeto juventude (e com ela a beleza) de hoje parece-me um bem de consumo. Temos cada vez mais medo de perde-la, gastamos cada vez mais com sua manutenção e não nos sentimos bem quando nossos esforços para mante-la não são reconhecidos (e dizem que parecemos mais velhos ou que estamos “meio acabadinhos”). É um terrorismo essa propaganda do Forever Young, minha gente!

Sem hipocrisia alguma, adoro a ideia de parecer mais jovem ou conservar uma beleza juvenil, pago botox se me der vontade sim! A pergunta importante que deve ser feita aqui é: A partir de que momento esse desejo de esconder uma linha de expressão me liberta do desconforto de te-la e me escraviza a um padrão que eu nem sei se realmente serve pra mim? POR QUE essa linha de expressão me incomoda, por que eu preciso esconde-la de mim mesma pra continuar me sentindo bem comigo mesma?

Que bom que a juventude passa, ainda bem que passamos por mudanças: elas nos possibitam novas sinapses, corpos mais adaptados, menos sofrimento pelas coisas desimportantes, mais tempo investido nas coisas certas. Envelhecer é uma atitude, vai acontecer diferente pra cada pessoa e trás os resultados do plantio feito na juventude. Então, ao olhar-se no espelho, não é só um corpo que está jovem e bonito ou não que vemos. É o reflexo de quem nos tornamos e de quem poderíamos ter sido que os espelhos revelam.

Acredito estar em 45% do meu trajeto por essa vida. Com a minha juventude tive e ainda tenho grandes conquistas e aprendizados inesquecíveis. É maravilhoso sertir mais segurança e autonomia inclusive sobre si mesma! Dos conselhos que meu espelho tem me dado, ou seja, dos resultados das minhas vivências, posso citar os mais signiticativos pra mim:

  1. Pra me qualificar não preciso desqualificar ninguém.
  2. Se está tudo bem, ótimo. Se não está, posso tentar resolver. Se não conseguir, paciência.
  3. Tudo passa, tudo muda. Não há motivos pra se fixar a qualquer coisa que provavelmente vá passar também.
  4. O apego só vale a pena se você for bom em desapegar.
  5. Comer é muito bom, mas andar rápido, subir escadas e não precisar de comida pra se sentir bem é ainda melhor.
  6. Não existe vilão nem mocinho. Todo mundo já fez mal pra alguém um dia.
  7. Relacionamento não precisa ser uma meta, mas um meio. Relacionamento é um dos meios pra se ter uma vida bacana. Há outros também!!! Ninguém precisa de alguém pra ser feliz.
  8. É melhor decidir no dia seguinte. Se puder ter uma noite de sono pra resetar o cérebro e organizar as emoções, permite-se.
  9. Tudo vai fazer sentindo em algum momento, não precisa se desesperar. Opção “a” não deu certo? Pois gora você tem todas as outras letras do alfabeto.
  10. Conhecimento não se adquire por osmose. São necessárias muitas horas com a bunda na cadeira pra se pensar em dar uma opinião sensata, interessante e relevante. Do contrário, o silêncio sempre será o pretinho básico (vai bem em qualquer ocasião).
  11. Todo dia temos a chance de aprender alguma coisa. Não existe verdade absoluta. Todo mundo tem sua razão. O seu espaço começa aonde o meu termina e discutir ideias sempre será mais interessante que falar da vida de alguém.

E você, gosta da juventude que tem/teve? O que aprendeu até hoje?

 

O preço da Liberdade

Imagem de mosaicotidiano

Já nascemos morrendo, e mesmo sabendo que isso é um fato, temos a liberdade de escolher como viver. Nascemos com a chance de aproveitar o tempo que nos foi dado, o crédito da Vida. A ânsia pela liberdade é uma constante, a decisão de consegui-la é um marco. A conquista da liberdade é… ainda não sei.

 

Aceitei o desafio de escrever sobre o preço da liberdade. Esse tema me dá arrepios, pois sei bem quão cara ela pode custar. Pra não me perder pelas palavras, formas de liberdade surgirão em tópicos. Talvez eu esqueça de algo ou de muita coisa. Paciência, escrevo como se estjvesse numa conversa, tudo surge naturalmente.

Tentando lembrar das minhas libertações encontro nos primeiros capítulos uma silenciosa desbravadora escolhendo os livros como caminho pra uma liberdade que imaginava existir, mas não tinha ideia de como era e de quanto custaria.

  1. Essa liberdade de pensamento que tanta gente criticou no passado hoje é oferta de 1,99 na palma da mão. Mas ela precisa de senhas, fórmulas, palavras-chave que a mente mergulhada no senso comum não consegue facilmente. É triste, mas de um total de pessoas com acesso aos fatos, menos da metade sabe o que é um fato e menos ainda chegará nele. Motivos? Outras prisões. Quem vai procurar pelos fatos quando a vida pessoal dos artistas é mais interessante? Mais preocupante é que algumas de nossas opiniões são na verdade fruto da falta de opinião própria (seja por falta de oportunidade de desenvolve-la ou  preguiça de pensar mesmo). Tenho horror a isso, nem consigo continuar o parágrafo.
  2. Nossas crenças nos libertam ou nos aprisionam. Às vezes as duas coisas. Seja produto do que for, aquilo que você tem certeza ‘absoluta’ que está certo te distancia do que está errado (do seu ponto de vista) e… os anos sempre ensinam que ter certeza demais não é nada sábio. Sempre há algo a se descobrir, a ser melhor entendido, mais adequadamente elaborado. Isso se aplica aos sentimentos, acredito eu. Libertar -se dos nossos monstros infantis, dogmas religiosos e amarras ideológicas nunca é fácil, pode custar até uma vida. Aliás, até que ponto os seus sonhos te impedem de viver o aqui-agora?
  3. E dos desejos, quem tem coragem de falar? A palavra dieta, por exemplo, faz minha boca doer toda vez que pronuncio. Dieta fala de padrões, de autoestima, de autodestruição. Libertar -se dos desejos é tão difícil que quase todos nós passamos a vida inteira lutando contra algum vício, seja o de trancar a porta duas vezes ou de comer doces. Há quem consiga pagar, há quem arranje desculpas pra viver com juros. E por desejos leia-se todo tipo de desejo. Até que ponto algo te dá prazer sem te escravizar?
  4. Passado, lembranças, lutos. Nossas memórias nos identificam, dizem muito de nós. Abrir mão daquilo que também nos formou não é facil. Viver num calabouço preso a memórias que magoam mais que alegram pode ser um fardo pra uns, mas livrar-se dele pode ser a própria morte pra outros. Não podemos julgar, mas há quem precise sofrer pra viver. Não sei dizer o que sai mais caro pra essas pessoas, a eterna goteira ou o recomeço e seus desafios.
  5. Liberdade financeira queremos ter desde que descobrimos as funcionalidades do dinheiro. Tem que o atribua ao poder, há quem prefira a segurança e quem só queira qualidade de vida. Mas pra qualquer tipo de vida, aprendemos que precisamos de dinheiro. Trabalhar cedo, tirar vantagem dos ingênuos, abrir mão de tudo pra trabalhar e ganhar mais, até de comer ervilha no Ano Novo pra ganhar rios de dinheiro somos capazes tão grande é nosso desespero pela sonhada tranquilidade financeira. Mas alerto você pra uma prisão que se configura aqui: até que ponto precisamos de tudo isso? Quando é que deixa de ser o sonho da casa própria e passa a ser uma escravidão, uma submissão? Pense nisso antes de achar normal ganhar mais pra comprar o carro do ano. Pense nisso antes de vender sua alma e deixar a vida passar pelos seus olhos e não poder abraça-la.
  6. Tem uma liberdade mais sutil que não  sei explicar. Definiria como “libertar-se de si mesmo”. Você se motiva e se sabota (faz escolhas incoerentes). Se respeita e se destrói (põe uma roupa nova pra se sentir bonito mas se alimenta do que faz mal).  Se ama e se odeia. Se aceita e se rejeita. Até que ponto somos livres das nossas próprias contradições? Quando é que criticar a si mesmo deixa de ser um exercício de crescimento e vira baixa auto-estima?

O que me sinto capacitada pra dizer é que não é fácil libertar-se de estigmas, de problemas familiares, traumas juvenis, amores mal resolvidos, relações abusivas, círculos viciosos, muito menos de si mesmo. Às vezes pra conquistar a liberdade a gente tem que se entregar e confiar. Soltar. Fechar os olhos, apertar o botão. Ir embora sem olhar pra trás. Escrever e enviar, decidir e agir.

Finalizo com algo do Bukowiski que sempre me fez bem e mal. Fala da gaiola que você tem na cabeça, na essência… no coração. Obrigada por ter chegado até aqui, um abraço!

 

Segunda-feira tem dica de leitura (larga um pouco o celular)

Segunda-feira é o dia mundial do recomeço (para quem trabalha e faz tudo certo de seg-sex mas deixa tudo pra lá no final de semana). Também é o dia em que prometemos começar um hábito ou continuar aquele projeto que precisa ser finalizado. Não é à toa que seja um dia tão hostilizado! 

Aproveitando a onda de promessas e overdose de determinação, quero indicar um livro toda segunda-feira aqui no Travessias. Lê quem quiser e tiver tempo, quem não gostar apenas segue em frente. Se você tiver algum livro pra me indicar também, fique à vontade!

Hoje vou falar de um livro que estou terminando de ler. É uma espécie de transcrição da conversa entre os autores Leandro Karnal e Monja Cohen. A leitura é muito fácil, saborosa e nos convida a uma reflexão que não dói, mas que nos desperta. Tópicos como Cultura de Violência e Medo, Disciplina libertadora, Coerção e Consenso, Tolerância e Limite são abordados pelos autores, dois grandes estudiosos sobre a história da humanidade em suas áreas de atuação.

O título “O Inferno somos nós”  brinca com a icônica e irônica frase de Jean Paul Sartre ‘O inferno são os outros’ (para conhecer um pouco esse filósofo clique aqui). A obra versa sobre a possibilidade de se produzir uma atitude menos agressiva e mais acolhedora a partir do momento em que o conhecimento de si e do outro substituem a cultura do medo e do preconceito.

Duas potências abordando a possível travessia do ódio à cultura de paz, Leandro é historiador e Monja Cohen é fundadora da comunidade Zen-budista do Brasil. Você não precisa ser budista ou professor de História pra se aventurar nessa obra, ela dá a impressão de que foi feita justamente pra quem não é especialista nesses temas. Aliás tanto Karnal quanto Monja Cohen se tornaram populares pela linguagem acessível e versátil que adotam em suas palestras e obras. Boa leitura!

Amor em tempos de gaiolas douradas

Hoje vamos falar de amor. Durante o dia-a-dia falamos de política, dinheiro, violência, religião, futebol e outros temas que impactam diretamente em nossas vidas. Discutimos, até desfazemos amizade quando não somos capazes de respeitar os limites da dialética. Mas não falamos de amor, talvez porque nossos amores falem mais de nós que o que dizemos de nós mesmos.

Falar de amor dá uma enciclopédia. Escolhi falar de amor e de uma máquina do tempo que já desejei ter em alguns momentos da minha vida.

ALERTA SPOILER. Se você assistiu Interestellar deve lembrar de quão impactante é a obra. A primeira referência que faço ao filme está na cena em que equipe de astronautas já está com pouco combustível e precisam tomar decisões importantes. Amélia ama um dos integrantes que morreram durante a expedição e ao ser questionada por sua motivação para estar ali, ela fala desse amor.

Por muitos anos me perguntei se o que sentia era mesmo amor. A explicação mais sábia que recebi sobre como saber se era mesmo foi “Você vai saber”. Então, se eu precisava me perguntar a resposta era negativa. Hoje eu diria pra quem me fizesse essa pergunta que é amor quando o tempo passa, as pessoas mudam e mesmo assim ele não muda. É amor quando você não quer/consegue se livrar do amor (mesmo com esforço e distanciamento da pessoa/causa que te desperta esse sentimento). A definição que a personagem de Anne Hathaway dá ao amor é muito interessante. O amor é algo que ainda não conseguimos compreender e talvez seja uma evidência de uma dimensão maior que ainda não está disponível pra nossa inteligência. E é um sentimento que por mais que não consigamos descrever com exatidão, seguimos sentindo através do tempo e do espaço…

Outro momento que me tocou fortemente foi a cena do ‘fantasma’. Matthew McConaughey vê o passado e pede desesperadamente pra que sua filha Murphy o impeça de partir pra missão espacial. É aí que o sapato aperta, leitor. Quantas vezes a gente olhou pra trás e se perguntou “AONDE APERTA PRA VOLTAR?”

É simples: não existe esse botão. Sua inexistência faz com que a partir de determinado ponto de nossas vidas passemos a valorizar mais cada segundo à nossa frente. E quando o segundo é de amor, queridos, esqueçam tudo e agarrem esse momento como se fosse a própria vida. Porque no futuro pode ser essa a lembrança mais significativa da sua vida.

Falo isso porque temos a ilusão de que o tempo não existe, pois não somos doutrinados ou mesmo incentivados a refletir sobre sua importância. Crescemos acreditando que segurança financeira, colocação social, padrão estético e outras gaiolas douradas são temas que merecem nossa atenção, dedicação e tempo. O tempo passa e com ele vamos nos tornando quem realmente somos. É nessa travessia entre quem você “tem que ser” e quem você realmente é que vem a oportunidade de viver conforme sua intuição/razão/coração fala. Nesse exato momento em que você lê o que escrevo, quem é você? Que valores orientam sua vida? Que desejos SEUS você já realizou até hoje? E, tocando na ferida, você conseguiu encontrar e ficar com seu grande amor? Você olha pro passado e fala pra si mesmo que deveria ter agido diferente, que gostaria de uma chance pra tentar fazer aquela história dar certo? Não estou te julgando, mas acho importante que você julgue a si mesmo e encare as consequências da vida que você tem escolhido todos os dias continuar vivendo. Não tenha medo da escuridão da sua intimidade.

ALERTA SPOILER. Agora trago outra referência que fala de um comportamento muito mais saudável ainda que perigoso em relação ao amor. Em A Forma da Água a jovem Elisa  vive um conto de fadas em tempos desastrosos, tempos em que os seres humanos precisam refletir e decidir diariamente sobre como se comportar diante das diferenças. Quando Elisa decide arriscar a própria vida (quando ela decide isso, já riscou do caderno todas as gaiolas douradas) para salvar seu grande amor, ela consegue provar algo que a gente é forçado a acreditar que nunca vai acontecer se tomarmos decisões contrárias aos padrões sociais, convenções e normas de convivência “tradicional”. Elisa consegue o apoio das pessoas mais próximas e até de quem não é de seu círculo mais íntimo. E você, eu, todo mundo aqui do lado de fora do cinema continuamos com medo de decidir o que fazer: o que vai agradar todo mundo, ficar com aquela pessoa que a família gosta e que os amigos não vão criticar, continuar com a relação ou solidão que nos convém (pra nos proteger de grandes desafios).

Leitores, com todo respeito, pelo menos uma vez na vida somos ou incentivamos uns aos outros à covardia. O amor, depois de diagnosticado, é para os fortes. E ser forte muitas vezes é ser fraco também e simplesmente se entregar, passando por algumas tempestades e mesmo assim seguir amando.

Pra finalizar, deixo aqui o texto que li ontem e que me fez pensar em tudo isso. O autor chama-se Bruno Fontes e já tem um livro publicado. Pra você que assim como eu tem um lugar no passado pra onde volta de vez em quando ou que não sabe que decisão tomar hoje pra não ter que pagar caro no bilhete da saudade, aqui vai essa bomba que o Bruno apertou o botão e explodiu na minha cabeça: “O amor mora nos nossos sonhos uma vida inteira”. Um domingo cheio de saudade pra vocês.

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Cuidado com minhas malas (sonhos)!

Há uma frase do Drummond que diz “Cuidado por onde andas, que é sobre os meus sonhos que caminhas”. Ela me veio à memória enquanto deixava minhas malas num locker aqui no Porto. Durante a vinda do Brasil minha bagagem passou por 2 companhias aéreas e 3 aeronaves. Eram novas, usei duas vezes cada uma. Pensei na frase do Drummond porque era o que eu deveria ter dito quando as despachei ainda em Manaus: “Cuidado com as minhas malas, que são meus sonhos que despachas”. Também deveria ter dito em cada conexão, em todos os idiomas possíveis, mas quem tem conhece  a experiência de despachar grandes bagagens sabe que esse tipo de pedido seria em vão. Assim como na pressa da vida, na logística aérea a eficácia é sempre mais importante que qualquer subjetividade. Nem preciso dizer que cheguei a Portugal com malas muito maltratadas, preciso?

Quantas vezes jogamos nossos próprios sonhos de qualquer jeito pelo chão, somos descuidados com os sonhos daqueles que precisam cruzar nosso caminho pra realizá-los ou simplesmente debochamos dos famosos ‘sonhos impossíveis’ ? Quem é você nos contos de fada da vida, o gênio da lâmpada ou o inquisitor sem alma?

Gosto de pensar que carrego sonhos quando começa a ficar difícil carregar minha bagagem durante alguma mudança. Isso me ajuda a não desistir ou deixar pra depois. Na vida a gente tem essa mania feia de postergar ou abrir mão do que é mais difícil, pesado, doloroso. Pois quanto maior o sonho ou desafio, mais energia e dedicação serão cobrados de você! Pense nisso na próxima vez em que estiver com preguiça de estudar ou ir pra academia. Até mesmo de fazer aquela super faxina em casa ou juntar dinheiro.

Sonhar pode parecer mais fácil que realizar, mas essas ações dependem uma da outra pra existir (você realiza algo que imaginou/ sonhou/ planejou e sonha algo que gostaria de realizar/ executar). Então chega de pensar que sonhos são coisa da sua cabeça e que a vida não passa de uma repetição dos passos alheios. E se alguém ousar te convencer do contrário, finja que não é com você e siga em frente.

Ah, antes que eu me esqueça: às vezes a gente senta e chora porque os agentes do destino nem sempre ajudam. Mas é preciso lembrar (principalmente nessas horas) que foi você quem fez sua mala. Foi você quem sonhou seus sonhos, foi você quem decidiu realizá-los. Eu diria ainda que é preciso ser realista pra realizar os próprios sonhos, por mais paradoxal que seja a idéia. O ideal é não reclamar do peso da mala, mas é essencial jamais desistir de carregá-la até aonde ela deve chegar.

Sonhe. Quando acordar, realize!

(E se tudo der errado, no mínimo você será mais forte)

Mudanças nossas de cada dia

Minha prática torta do budismo tem me revelado um mundo que sempre esteve aí, mas era sutil demais pra ser percebido. Assim como aconteceu com essa planta, tenho morrido várias vezes, perdido folhas e pétalas; a razão é minha força de transformação. Hoje entendo o motivo de sempre estar aberta a mudanças e de nunca ter tido medo de tentar o difícil, até quando parecia impossível.

Junto com a aceitação tenho aprendido a morrer sem dor, a decidir com a razão e a deixar ir tudo o que já não faz mais sentido. A ansiedade vai embora quando vejo essas folhas novas brotando numa planta que vi secar. A certeza de que aceitar mudanças é necessário me afasta da culpa que um dia senti por ser assim desbravadora, aparentemente inconsequente.

Aqui quero compartilhar minha verdade, coisa que nos dias de hoje nem sempre a gente pode fazer. Desejo que você, leitor (a), possa passar por mudanças muito boas, mesmo que um pouco turbulentas. Que depois delas você desfrute das flores e frutos e que um dia você perca o medo do que ainda está por vir.

Apesar de cíclica a Natureza precisa ser também misteriosa, só assim temos o privilégio da surpresa e do encanto. Se você achar necessário, ande no escuro, mude de emprego, abra mão do que não te faz melhor do que você já é. Abra as portas e janelas e deixe o sol entrar! Namastê.